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Apaguei a minha conta do Facebook, e também o deves fazer

Qual é o antónimo de privacidade? A resposta é Facebook

A palavra privacidade tem vindo a sofrer mutações ao longo dos anos, especialmente com a introdução das redes sociais e a massificação da Internet. Hoje em dia é perfeitamente normal estarmos registados na rede social Facebook e usa-la no dia a dia. Graças a esta rede social é possível comunicar com os nossos amigos, criar novas amizades, partilhar os nossos gostos, entre outras coisas. Um espetáculo não é?

Well… not really. A utilização do Facebook é gratuita por alguma razão. Esta empresa utiliza os nossos dados e vende-os a outras empresas de modo a sugerir anúncios relevantes. Chocados? Eu não.

Há um mês atrás, estava à procura de bilhetes de voos baratos para ir visitar os meus pais, e após ter feito uma pesquisa por “voos baratos” no Google, quando regressei ao Facebook tinha montes de publicidade relacionada com bilhetes de avião e voos low-cost. A parte mais chocante é que nem tinha feito o login no Facebook quando fiz esta pesquisa!. Ora sendo eu um bocado tech-savy, sei perfeitamente que maior parte dos sites na internet utilizam a API do Facebook embutida no seu código (uma espécie de stalker digital que monitoriza todas as páginas e pesquisas que fazemos na internet, fora do Facebook).

Por isso é que maior parte dos sites na internet nos deixa autenticar e registar com a nossa conta do Facebook. Desta forma existe uma ligação direta entre o nosso perfil com as nossas informações pessoais, e a aplicação. Quem é que lucra com isto? A empresa que criou o site ou aplicação claro!

Outro grande exemplo é a própria aplicação do Facebook para smartphones. Ao instalarem a aplicação através da App Store ou Play Store, um pop-up irá aparecer a pedir várias permissões de acesso aos dados que estão no telemóvel. Isto inclui, acesso as nossas chamadas, as nossas mensagens de SMS, à camera, à nossa localização, entre outras coisas. A parte mais creepy é que a aplicação mesmo fechada, continua a correr no background e a “caçar” todas as informações que colocamos no nosso telemóvel. Por exemplo, basta falarem por mensagem ou por chamada, e mencionarem a palavra “Cinema”, que a próxima vez que forem ao Facebook serão bombardeados com publicidade relacionada com filmes e bilhetes de cinema!

Para muitos isto é normal, já se habituaram a esta realidade e não se importam muito com isso. Eu por outro lado, gosto muito da minha privacidade. Raramente publicava coisas no Facebook e só usava esta rede social por causa dos grupos da Faculdade entre outras coisas…. ah e os memes claro!

A nova politica de privacidade

Desde que entrou em vigor a nova lei da protecção de dados (a chamada GDPR) as coisas tem vindo a mudar. Agora estas empresas tem que nos pedir autorização para vender os nossos dados e gerir a forma como nos “stalkam” na Internet. Dai aqueles montes de emails que recebemos desde Abril, sobre a atualização da nova política de privacidade.

Isto afectou em grande parte o Facebook, pois antigamente era impossível apagar a nossa conta, apenas deixava-nos suspender a conta durante um período de 14 dias, sendo que após esses 14 dias a conta voltaria a ser reaberta automaticamente, ou seja, era praticamente impossível “sair” desta rede social uma vez lá registado. Isto veio a mudar com a nova lei. Agora quem decidir cancelar a sua conta nesta rede social, a mesma será permanentemente apagada dos servidores e base de dados do Facebook. Parece uma coisa tão simples, mas demorou uma eternidade a ser colocada em acção.

Ontem decidi fazer isso mesmo, e apagar permanentemente a minha conta do Facebook ao qual está ativa desde 2007. (Sou velho eu sei). Isto não quer dizer que decidi deixar de usar redes sociais. Apenas deixei de utilizar aquela rede social em que a palavra privacidade não está incluída.

Desculpa Zuck, mas isto é um adeus..

2 Comentários

  1. Já era possível apagar a conta. Eu apaguei a minha há uns 5 anos (mas sim, foi preciso andar de link em link e descobrir todos os botoezinhos escondidos necessários para o fazer). Os meus motivos não foram a necessariamente a privacidade (se bem que também me incomoda) mas mais a insanidade que são as “conversas”, os “amigos”, a dependência, e podia listar mais pelo menos uma dezena de coisas. Entretanto abri uma nova conta à coisa de 1 ano, com regras apertadas: não publico fotos, nem actualizações, partilhas, nada, nem sequer tenho “amigos”. Uso o Facebook exclusivamente para participar em grupos que me interessam, partilhar posts na página do meu blog seguir páginas de que gosto e pouco mais. Não tenho a aplicação no telefone nem sequer está nos “Favoritos” do meu browser. Mesmo assim às vezes vejo coisas nos tais grupos que me deixam enjoada e fico semanas inteiras sem ir lá. Mas, no geral, acho que consegui criar uma relação saudável com o FB. No entanto, se achar que começa a ser demasiado, não hesitarei em voltar a apagar a conta!

    1. Boas medidas ajudam a mitigar o problema de tracking 🙂 Eu também usava o Facebook por causa dos grupos, mas hoje em dia há tantas outras formas de fazer a mesma coisa sem usar os grupos do Facebook ?

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